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LIVRO
Araquém Alcântara lança mais duas obra e amplia a importância do seu trabalho em defesa da natureza
Araquém Alcântara

O fotógrafo Araquém Alcântara, 57 anos, auto-apelidado "Colecionador de Mundos", exibe uma capacidade produtiva de tirar o fôlego. Em toda a sua carreira somam-se 33 livros, 22 em co-autoria, 74 exposições individuais e um sem número de ensaios e reportagens publicadas no país e fora dele. Sorte de nosso meio ambiente, ao qual Araquém dedica quase a totalidade do seu trabalho. Nessa linha, saíram da gráfica no início deste ano mais duas obras do fotógrafo: Águas do Brasil e Chapada Diamantina, ambas pela editora Terra Brasil, do próprio Alcântara.

 

Trata-se de livros de arte, nos quais a capacidade técnica desse importante fotógrafo da natureza (para muitos críticos o mais importante do país) e a própria plasticidade dos cenários retratados, sem esquecer o elemento humano – sempre presente na obra de Araquém –, fazem contraponto ao contundente discurso do autor, um alerta diante do descaso e da destruição sistemática de nossos recursos naturais.

 

Águas do Brasil é resultado de várias expedições fotográficas realizadas nos últimos anos. Alcântara clicou rios, lagos, cachoeiras, peixes, pescadores e banhistas em viagens do Oiapoque ao Chuí. Quando pensou em produzir um livro sobre o tema, Araquém voltou à estrada em 2007 e, durante cinco meses, fez imagens que julgou faltarem no seu acervo. Disso tudo, selecionou cerca de 130 fotos, que são as que compõem o livro, acrescido por textos do jornalista Otávio Rodrigues, prefácio do ministro Gilberto Gil e apresentação do climatologista Carlos A. Nobre.

 

A obra faz um inédito e atualizado inventário dos recursos hídricos do Brasil e propõe uma nova geografia que não consta nos livros escolares, tampouco é conhecida em sua plenitude por professores, políticos, gestores públicos, intelectuais, comunicadores e outros formadores de opinião. O discurso embutido – expresso em imagens desoladoras de palafitas, chãos gretados e baldes vazios – é o da calamidade que o atual estado de coisas ameaça acarretar: "Se nada for feito já pela preservação das nascentes e da natureza em geral, os futuros brasileiros vão nos julgar como, no mínimo, coniventes e assassinos. A destruição acontece a cada minuto. Precisamos fazer alguma coisa", alerta.

 

A outra obra, Chapada Diamantina, responde a um antigo projeto do autor: "Faz 12 anos que decidi celebrar a Chapada, um dos lugares de maior beleza no Brasil, um oásis em pleno sertão. Meus projetos têm gestação lenta porque exigem infra-estrutura pesada. De qualquer modo, eu sabia que um dia iria mostrar publicamente essa terra ainda bastante preservada", afirma o fotógrafo.

 

Chapada Diamantina traz mais de cem fotos, captadas em filme e com digital, em cor e em preto-e-branco. Ainda inclui versos de João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Cecília Meireles e outros; e o capítulo Terras do eterno garimpar, escrito pelo jornalista Daniel Nunes Gonçalves, rico em dados objetivos e análises sobre história, geografia, vida social, fauna e flora da Chapada. O prefácio é de Orlando Senna, cineasta e jornalista nascido na Chapada Diamantina, ex-diretor da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, atualmente na TV Pública.

 

 

Águas do Brasil

Edição bilíngüe (português-inglês)

30x24cm, 224 págs., R$ 99

 

Chapada Diamantina

Edição bilíngüe (português-inglês)

30x24cm, 192 págs., R$ 99

www.araquem.com.br