Revista Photo Magazine

 

 

 Visite também
 Notícias minuto a minuto
 Cursos e Workshops
 Livros e assinaturas
 Receba nossa newsletter


 
 Apoio

 

 

 

 

 

 

 
 

EXPOSIÇÃO
CCBB Rio mostra valioso acervo de imagens feitas pelos filhos e neto de Marc Ferrez
Gilberto Ferrez

Uma descoberta que equivale a desencavar um baú de ouro. Pois é realmente um tesouro o que o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, expõe até o final deste mês. Família Ferrez: novas revelações apresenta ao público um acervo até então desconhecido de imagens da primeira metade do século 20, do Brasil, do Senegal e de alguns países europeus. Mais interessante ainda, é que a autoria das cerca de 400 imagens tem o peso de um nome conhecido e cultuado dentro da iconografia brasileira. Nada menos que os filhos e o neto do grande Marc Ferrez assinam as fotos.

 

A exposição saiu de uma seleção de oito mil negativos que estavam guardados nas coisas de Gilberto Ferrez, o neto do famoso fotógrafo. Além de álbuns e arquivos pessoais, a coleção de Gilberto continha fotos feitas pelo seu pai, Julio, e pelo seu tio, Luciano, os filhos de Marc Ferrez, que também possuía obras naquele acervo. O material foi encontrado no meio dos documentos da família doados pelas filhas de Gilberto ao Arquivo Nacional, em outubro do ano passado.

 

A exposição no CCBB tem curadoria de Júlia Peregrino e Pedro Karp Vasquez. Ela ocupa todo o segundo andar do prédio. Na grande sala principal estão as imagens do Brasil. Entre as fotos do Rio, estão registros da Exposição Nacional de 1922 (do centenário da Independência), a reforma do Largo da Carioca, a construção da Cinelândia, a abertura da avenida Presidente Vargas – incluindo raríssimas fotografias da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a primeira da América Latina com traçado curvilíneo – panorâmicas do centro tomadas de Santa Teresa, o perfil original do Mercado Municipal na Praça XV, a expansão da cidade em direção à Zona Sul, vistas da Pedra da Gávea e a construção do Cinema Pathé, além de imagens do carnaval de rua e da ressaca de 21, que abalou a cidade. Do Brasil, imagens da Bahia, em especial o cais de Salvador; Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Pernambuco.

 

O desmonte do Morro do Castelo, fotografado por Luciano Ferrez, mereceu sala especial. "As centenas de imagens de Luciano sobre a derrubada do Morro do Castelo evidenciam todos os aspectos de seu arrasamento, uma espécie de suicídio urbanístico cujo alto custo social o Rio de Janeiro paga até hoje", afirma Pedro Vasquez. Já as fotos de Júlio, para Vasquez o cronista familiar e comentarista social dos Ferrez, figuram no módulo Comentário Social. Ele retratou a própria família, amigos e personagens anônimos, eternizando a nostalgia e o romantismo da época.

 

Júlio e Luciano Ferrez foram pioneiros na difusão do cinema no Rio de Janeiro, enquanto Gilberto Ferrez, além de dar continuidade ao negócio familiar (em associação com os primos), através do cinema Pathé (até muito recentemente a mais antiga sala de cinema em funcionamento contínuo no país), foi pioneiro entre os historiadores da fotografia no Brasil. Ele é autor do primeiro estudo sobre o assunto: A fotografia no Brasil e um dos mais dedicados servidores: Marc Ferrez, 1843-1923, publicado na Revista do Patrimônio Histórico em 1953. Muito antes, em 1905, Julio publicava O amador photographo. O que se ignorava até hoje é que os três também foram exímios fotógrafos, legando à posteridade um acervo de negativos que, no conjunto, excede os oito mil itens.

 

SERVIÇO

Família Ferrez: novas revelações

Onde: CCBB Rio

End.: R. Primeiro de Março, 66

Período: Até 27 de abril