|
Com o sol ainda por nascer e um insistente vento batendo nas costas, percebi que tremia de frio ao avançarmos lentamente pela mata fechada. Exceto pelos sons dos pássaros matutinos e o eventual ruído de uma folha seca, caminhávamos virtualmente em silêncio. Alguns metros adiante, nosso guia parou de repente e levantou a mão em sinal para que esperássemos. Seguindo em frente ele olhava uma pequena clareira. Virando-se devagarzinho, ele acenou para que nos aproximássemos e então sussurrou as palavras mágicas: "Olhem, há dois leões ali".
Inicialmente foi difícil ver alguma coisa no capim cor de areia, só algumas sombras e manchas mais escuras. Depois, concentrando melhor, pude ver um jovem macho levantar a cabeça e olhar para um lado, depois outro e, finalmente, diretamente para nós. Ninguém disse uma só palavra, ninguém se mexeu e, pelo que me parecia, ninguém nem respirava. Com a adrenalina correndo pelos nossos corpos, ficamos imóveis, presos ao solo, todos seguramente pensando sobre o que nos haviam dito antes: "Se ele atacar, mantenha sua posição. Nunca corra!"
Com apenas 50 metros entre ele e nós, a sorte estava lançada. O clima estava tenso enquanto esperávamos algo acontecer. O impasse provavelmente durou apenas segundos, mas me pareceu uma eternidade. Finalmente o leão concluiu que não tinha interesse em nós, provavelmente por causa da simpática leoa, que agora vislumbrávamos ao seu lado. Também não estavam interessados em ter visitantes observadores, então, com toda sua majestade, se levantaram e sumiram silenciosamente pela mata fechada. Havia sido uma breve, mas maravilhosa imagem e mais um daqueles momentos inesquecíveis da África.
LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA EDIÇÃO IMPRESSA (JÁ NAS BANCAS!)
|