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Final de tarde em Porto Alegre. Reunida num restaurante da capital está uma parcela representativa da fotografia gaúcha e alguns "agregados". À mesa estão Luiz Eduardo Achutti, Fernando Bueno, Tadeu Vilani (mas não fica muito tempo), Sinara Sandri e os cariocas J. R. Ripper e Zeca Linhares, do time dos "agregados". Outra que não é dali é ninguém menos que a belga Martine Franck, de passagem pelo estado a convite do Foto Fest, o Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre. Por conta da convidada ilustre, todos tagarelam em inglês, com apartes em francês. E tem também Luiz Abreu. A certa altura, ele saca da bolsa um exemplar já rodado do livro Santa Soja, que fez junto com Jacqueline Joner, Eneida Serrano e Genaro Joner, e do ensaio Banda Oriental, seu trabalho sobre a região fronteiriça do Rio Grande do Sul com o Uruguai, que já foi símbolo de opulência e hoje vive empobrecida. Rabisca uma elaborada dedicatória e dá os exemplares a Martine. A viúva de Cartier-Bresson os folheia, parece gostar, dirige um comentário a Achutti. Pergunto o que ela disse. "Achou muito bom", ele responde. Vindo da boca de quem veio, é um elogio e tanto.
Dos 60 anos de idade que tem, Luiz Abreu viveu uns bons trinta e poucos como fotógrafo. Sempre atuou no Sul, o que não o impediu de ver seu trabalho ecoar em outros centros do país. Fotografou para os jornais da capital gaúcha e também para as sucursais de O Globo, Manchete e Visão. Montou uma agência com colegas dissidentes do Coojornal e publicaram o primeiro livro de fotografias feito no Rio Grande do Sul, Santa Soja, de 1978. Em 2005, entrou na coleção Pirelli-Masp. Feitos e reconhecimento para um fotojornalista que, desde a primeira foto, segue uma linha coerente de preocupação social que é a marca do seu trabalho documental.
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