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Entrevista: LUIZ ABREU
Há mais de 30 anos, marginalizados e desesperançados passam pelas lentes de Luiz Abreu, um expoente da fotografia documental do Sul
Thiago Biz

Final de tarde em Porto Alegre. Reunida num restaurante da capital está uma parcela representativa da fotografia gaúcha e alguns "agregados". À mesa estão Luiz Eduardo Achutti, Fernando Bueno, Tadeu Vilani (mas não fica muito tempo), Sinara Sandri e os cariocas J. R. Ripper e Zeca Linhares, do time dos "agregados". Outra que não é dali é ninguém menos que a belga Martine Franck, de passagem pelo estado a convite do Foto Fest, o Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre. Por conta da convidada ilustre, todos tagarelam em inglês, com apartes em francês. E tem também Luiz Abreu. A certa altura, ele saca da bolsa um exemplar já rodado do livro Santa Soja, que fez junto com Jacqueline Joner, Eneida Serrano e Genaro Joner, e do ensaio Banda Oriental, seu trabalho sobre a região fronteiriça do Rio Grande do Sul com o Uruguai, que já foi símbolo de opulência e hoje vive empobrecida. Rabisca uma elaborada dedicatória e dá os exemplares a Martine. A viúva de Cartier-Bresson os folheia, parece gostar, dirige um comentário a Achutti. Pergunto o que ela disse. "Achou muito bom", ele responde. Vindo da boca de quem veio, é um elogio e tanto.

 

Dos 60 anos de idade que tem, Luiz Abreu viveu uns bons trinta e poucos como fotógrafo. Sempre atuou no Sul, o que não o impediu de ver seu trabalho ecoar em outros centros do país. Fotografou para os jornais da capital gaúcha e também para as sucursais de O Globo, Manchete e Visão. Montou uma agência com colegas dissidentes do Coojornal e publicaram o primeiro livro de fotografias feito no Rio Grande do Sul, Santa Soja, de 1978. Em 2005, entrou na coleção Pirelli-Masp. Feitos e reconhecimento para um fotojornalista que, desde a primeira foto, segue uma linha coerente de preocupação social que é a marca do seu trabalho documental.

 

LEIA A ENTREVISTA NA EDIÇÃO IMPRESSA (NAS BANCAS)