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Edição # 33 | Agosto e Setembro 2010


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Especial
Fotógrafos comunitários mostram uma outra visão do Rio de Janeiro

Por André Teixeira
Ratão Diniz

Refúgio de bandidos, falta de saneamento, doenças, abandono. A miséria e todos os problemas que ela provoca. Essa é a visão que os veículos de comunicação tradicionais têm das favelas, e essa maneira de apresentá-las – que nem sempre corresponde ao olhar que seus moradores têm sobre elas – acaba reforçando estereótipos e preconceitos, aumentando o fosso entre o "asfalto" e as "comunidades". Modificar esse panorama, a partir da formação de fotógrafos documentaristas nesses locais, é um dos objetivos da Escola de Fotógrafos Populares, que funciona desde 2004 na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

 

"Hoje, tão importante quanto denunciar é mostrar a beleza das populações que sofrem esse enorme processo de censura, de exclusão visual de sua beleza e, portanto, de segregação, de estigmatização através da violência, de marginalização e de criminalização", diz o fotógrafo João Roberto Ripper, criador do projeto. Ao lado da Agência Imagens do Povo, a escola faz parte do programa sóciopedagógico do Observatório de Favelas, organização social de pesquisa, consultoria e ação pública com sede na Maré que tem como missão elaborar "conceitos, projetos, programas e práticas que contribuam na formulação e avaliação de políticas públicas voltadas para a superação das desigualdades sociais". Dentro dessa proposta, a fotografia entra como uma forma de registro dos espaços populares, da cultura e hábitos de seus moradores, um instrumento não só de denúncia das dificuldades e problemas – que sem dúvida existem – mas também de destaque de seus aspectos positivos.

 

"Vemos os espaços populares como espaços de beleza e resistência. Vivenciamos as favelas, quilombos e áreas indígenas a partir de uma perspectiva positiva, amorosa, diversificada, ao contrário da imprensa tradicional, que muitas vezes apresenta esses locais apenas como espaços do crime e da miséria", analisa Fábio Caffé, um dos fotógrafos formados pela Escola. "Estamos redefinindo um modo de pensar a favela, a periferia, o gueto, enfim. Escrever sua própria história, sem deixar que apenas a contem para você, é uma revolução", reforça Naldinho Pessoa, outro profissional que passou pelo programa.

 

Leia a reportagem completa na versão impressa (nas bancas!)

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