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André Salles-Coelho, 41 anos de idade, é um admirador da cultura popular, com uma queda toda especial pelo folclore de Minas Gerais, cuja capital, Belo Horizonte, o viu nascer. Formado em jornalismo pela PUC de Minas, virou monitor do laboratório de fotografia do curso e iniciou uma trajetória como freelancer, trabalhando em pequenos jornais e mídias institucionais. Em paralelo, começou a estudar música, e isso o aproximou das manifestações típicas mineiras, como o congado, o moçambique e a folia de reis. E, como num ciclo que inevitavelmente traz ao início, lá estava a fotografia a costurar esse variado leque de interesses numa só realização. E justo num período em que a captura fotográfica mudava radicalmente – sumiam os filmes, ficavam os pixels. Nesse contexto, que vai de 2003 a 2008, Salles-Coelho gestou seu primeiro ensaio, Vagas lembranças.
Talvez fosse certo dizer que ele é o "não-autor" desse livro, publicado pela editora C/Arte em 2008 e no qual desenvolveu a tese de mestrado em artes visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. A razão disso tem a ver também com a mudança tecnológica, que o apanhou desprevenido em pleno exercício do trabalho. Num domingo, já em 2005, se viu sem filmes para abastecer a sua Nikon F3, longe de qualquer possibilidade de reposição, enquanto o congado corria solto ali na sua frente. Como medida emergencial, tomou de empréstimo uma Sony de míseros 3.2 megapixels da namorada e foi à luta. O "estepe", no entanto, saiu-se melhor do que a encomenda. A liberdade e facilidade de uso do equipamento, aliada à capacidade absurda de armazenamento – se comparada com um rolo de filme – e seu baixo custo operacional, cativaram André. Seu primeiro contato com o digital teve algo de amor à primeira vista: "Sempre fui uma pessoa bem conservadora para novas tecnologias. Porém, depois da câmera digital, nunca mais quis usar uma analógica", confirma.
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