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Edição # 33 | Agosto e Setembro 2010


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Homenagem
Walker Evans é um ídolo de várias gerações de fotógrafos. Por isso, ele está na História

Por Bola Teixeira
Walker Evans / Fundação Mapfre

Vanguardista, o norte-americano Walker Evans rejeitou a tendência surrealista dominante de seus tempos para se transformar no precursor da fotografia documental e do fotojornalismo dos dias de hoje, expondo em suas imagens a verdade sem versões: cruel, descoberta e nada construída.

 

Evans é um nome obrigatório em qualquer short list dos fotógrafos que mais influenciaram durante o século passado. Sua contribuição para a fotografia é inquestionável. Exageros à parte, evoca-se até seu olhar revolucionário. Algumas de suas imagens são referências, obras perenes que se impõem numa sociedade embasbacada pelos conceitos efêmeros impostos pelo seu caráter digital. A obra de Evans transcende, marca, fica, como todos aqueles que fazem história.

 

Os meios encaminharam Evans para as letras. Nascido em 1903, em Saint Louis (EUA), na sua juventude até que pensou em ser um escritor. Ainda jovem e já vivendo em Nova York com sua mãe, ele frequentou boas escolas e se aproximou da literatura. Chegou a trabalhar na biblioteca pública da cidade. Em 1926 viveu em Paris, frequentou a Sorbonne e se aproximou dos escritos de Flaubert e de Baudelaire.

 

Todo esse empurrão não comoveu Evans. No seu retorno a Nova York, um ano depois, ele comprou mesmo foi uma câmera fotográfica, naquelas alturas aos 24 anos e convencido de que sua narrativa se daria através do olhar. Crítico dos trabalhos de Alfred Stieglitz e Edward Steichen, dois dos fotógrafos que "reinavam" no final dos 20, o jovem Evans já manifestava um comportamento avesso ao mercantilismo, talvez por estar no olho do furacão do crash da bolsa norte-americana de 1929, que provocou muita desigualdade econômica e injustiça social. Ironia ou não, Evans trabalhou por um curto período em Wall Street, numa experiência frustrante. Suas influências no início da carreira eram intelectuais, escritores e pintores. Nada de imagem. Experimentou a publicidade, detestou. Na fotografia de arquitetura (em 1930 fotografou casas vitorianas para um livro sobre a arquitetura do século 19) começou a descobrir seu estilo.

 

Intuitivo, observador e desprovido de preconceitos. Evans levou muito a sério esses atributos quando realizou seu primeiro trabalho, que podemos chamar de fotojornalismo. Foi em 1933, com o objetivo de fotografar para o livro Crime de Cuba, de Carleton Beals, que expunha toda a corrupção do ditador Gerardo Machado. As fascinantes imagens captadas pelas lentes de Walker Evans acabaram no livro Cuba, lançado em 2001.

 

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