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Periodicamente, alguma nova tragédia humana chama a atenção da mídia internacional. Em geral, acontece quando o limite do horror foi exacerbado. Desse modo, ficamos sabendo do sofrimento de pessoas anônimas em regiões remotas, como na Jordânia, nos Bálcãs ou em Darfur. Porém, a onda de interesse passa e logo ninguém mais se lembra de tais conflitos e suas consequências. Alguns dramas e seus protagonistas, nem a esse pequeno conforto têm o direito. O que não os impede de resistir. Ao lado desses esquecidos está Rogério Ferrari, um fotojornalista brasileiro que se recusa a ficar indiferente. Ele é autor do projeto Existências/Resistências.
Uma de suas várias cruzadas se deu em 2002. No inverno daquele ano, Rogério desembarcou no Curdistão para conhecer a realidade dos curdos que vivem sob regime turco. Esse trabalho, que se estendeu até o ano seguinte, resultou no livro Curdos – Uma nação esquecida, publicado em 2007 e lançado em setembro passado em São Paulo, acompanhado de uma exposição de um mês na galeria Coletivo, localizada na Rua dos Pinheiros, 493. Foi seu terceiro livro, o segundo editado de forma independente. Antes, havia feito Palestina, a eloquência do sangue (2004) e Palestine, este pela editora francesa Le Passager Clandestin em 2008. E foi coautor de Zapatistas, a velocidade do sonho (Entre Livros/Thesaurus, 2006).
Ferrari tem 44 anos de idade. Baiano, nasceu em Ipiaú, cidade interiorana de 45 mil habitantes. Sua formação é em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia, com ênfase em antropologia. Mas se apressa em rejeitar qualquer motivação acadêmica: "Longe disso, como fotógrafo procuro retratar povos e movimentos que lutam por terra e autonomia sem que isso represente um panfleto ou uma estetização da realidade", declara. Com essa determinação, esteve com palestinos sob ocupação israelense e nos campos de refugiados do Líbano e da Jordânia, conviveu com os zapatistas no México, com os sem-terra e ciganos aqui no Brasil e com mineiros na Bolívia. Mais recentemente visitou o povo saarauí, nos territórios ocupados no Marrocos e nos campos de refugiados no deserto do Saara, dando vulto ao propósito do seu projeto.
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