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Edição # 33 | Agosto e Setembro 2010


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Especial
Coleções, leilões e galerias comandam o movimento de estímulo à fotografia fine art

Por Alcides Mafra
Giancarlo Mecarelli

No último mês de setembro, o advogado carioca Fabio Giorgi inaugurou um blogue. Nada de advocacia, entretanto. Praticante de técnicas alternativas de fotografia, e com incursões pelo digital, ele resolveu ter sua própria galeria virtual. Aos 53 anos, vivendo em Juiz de Fora (MG), Fabio é mais um a impulsionar o ainda modesto mercado brasileiro de fine art. Na opinião de quem conhece o setor, estamos longe de outros países no que se refere à apreciação da fotografia como obra de arte. Mas é fato que estamos avançando. Novas galerias especializadas surgem no país, leilões são promovidos, colecionadores fazem novas aquisições e autores estão sendo valorizados. Ter uma bela imagem na parede pode, portanto, ser um bom negócio.

 

Principiante nessa ciranda toda, Fabio quis apenas mostrar algumas das fotos que faz com a sua digital. A possibilidade de vendê-las veio a reboque. Seus cliques, normalmente em preto e branco, são impressos em tiragens de dez exemplares. Os preços variam entre 150 e 250 reais. Algo bem distante do que é pago no circuito das galerias e leilões. Lá, certas obras chegam a R$ 150 mil. Mas as aproximam as preocupações embutidas no conceito de fine art. Permanência é uma delas.

 

Em se tratando de digital, essa questão suscitava dúvidas até algum tempo atrás. Atualmente, as impressoras e tintas mais modernas garantem impressões duráveis. "Desde que observados os cuidados normais dispensados a qualquer material impresso, tais como a proteção contra a luz solar direta, umidade e materiais inadequados de suporte, uma impressão digital feita com papéis próprios e pigmentos de ponta pouco fica a dever, em termos de permanência, aos processos tradicionais", ressalta Giorgi.

 

Lívia Grecca, 23 anos de idade, é gerente da Linha de Conservação e Emolduração da Canson Brasil, empresa que atua no segmento de papéis especiais para belas artes e fine art digital. Ela acredita que o mercado está se dando conta do quão importante é o quesito durabilidade. Mas ainda há ressalvas: "Existem escritórios de montagem, poucos, que já trabalham com insumos adequados à conservação, mas muitas vezes eles não conseguem ‘vender’ o conceito ao fotógrafo ou ao artista, que quase sempre pensa em gastar o menos possível na montagem", lamenta. Para a especialista, o fotógrafo precisa compreender que o que parece gasto deve ser entendido como investimento: "É uma garantia que ele oferecerá ao cliente de que essa obra de arte estará impecável daqui a 70, 80, 100 anos e que ele não terá o prejuízo de refazer um trabalho ou restaurá-lo. Por isso, é importante utilizar insumos totalmente certificados e que tenham uma procedência confiável. Insumos como papel, cartão de fundo, papel barreira, passe-partout etc. A Canson fabrica esses materiais há mais de 450 anos", diz.

 

Fabio Giorgi já vendeu algumas cópias suas, para compradores no Rio e em São Paulo. Também adquiriu algumas, geralmente na base da "troca de figurinhas" com outros fotógrafos – amadores, em sua maioria. E promove garimpo em sebos. Como ele, muitas outras pessoas cultivam o gosto por colecionar fotografias. "Está começando a se popularizar. Até mesmo pela facilidade que temos agora de conhecer trabalhos de outros fotógrafos (na Internet), sejam eles conhecidos ou não. Além disso, o que está de certa maneira incentivando a formação de coleções de fotografias no Brasil é o fato de que muitos fotógrafos começaram a perceber que seus trabalhos autorais podiam ser mostrados fora dos ambientes das galerias", ele opina. Dentro delas, todavia, o hábito também é estimulado. E muito. E com a ajuda preciosa dos leilões de arte.

 

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