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Morador de Florianópolis (SC), o fotógrafo André Paiva, 35 anos, divide o tempo entre o seu Café Outono e a fotografia preto e branco. Seu sobrenome confunde-se com o de Zé Paiva, de quem foi assistente. "Grande Zé! Não tenho parentesco, mas somos meio irmãos, nos conhecemos há mais de uma década, também fui seu assistente por um ano, éramos ‘Os Paiva’", vibra o fotógrafo, que concedeu entrevista por e-mail abordando seu envolvimento com o PB à reportagem da Photo Magazine.
Sua formação acadêmica é de artista plástico.
Você já pensava na fotografia ou foi sendo encaminhado a ela?
Sim, é uma boa formação pra quem quer adquirir conhecimento. Eu já fazia fotografia preto e branco e alguns trabalhos comerciais quando ingressei na faculdade de artes plásticas. A academia me proporcionou uma maior compreensão da arte, da sociedade. O universo que se descortinou em disciplinas como história da arte, por exemplo, foi muito enriquecedor. As matérias práticas, de escultura, cerâmica, gravura, pintura, desenho, fotografia, serigrafia, foram sólidas. Juntamente às teóricas, como fundamentos da linguagem visual, filosofia da arte, psicologia da arte etc., contribuíram efetivamente para minha formação até aquele momento. E a formação é um devir.
Aos 20 anos você se tornou um profissional.
O que te levou para a fotografia?
Havia desistido de uma formação acadêmica interessante, mas que não me agradava, naquele período turbulento, questionamentos, buscando algo que nem ao menos sabemos o que é. Imagine: 20 anos, família, futuro, aquele caldeirão que alguns conhecem. Com tempo livre, bastou uma pequena viagem solitária para que eu encontrasse novamente o caminho. E ele passava paralelo à trilha da infância, e então aquela inclinação que se tem naturalmente se impôs. Eu era uma pessoa que desenhava muito, observava muito, tinha um visual mental composto por imagens, gostava de brincar com os amiguinhos, mas adorava ficar sozinho, tanto num dia chuvoso em casa quanto sair solitário em expedições, até mesmo para longe do bairro onde vivia, o que para a época e idade seria como ir para a Zâmbia. Acho que atendi minha natureza.
Alguma influência foi decisiva?
Acredito, até onde eu sei, que nenhuma pessoa influenciou, já que fiz tudo escondido. Talvez circunstâncias contingenciais. Mas aconteceu o seguinte: quando voltei da pequena viagem e percebi que minhas fotos não existiam, que tinha perdido tudo, que as memórias daquela viagem mágica se perderam no tempo, ficou claro que eu precisava aprender fotografia, procurei imediatamente um curso de fotografia. No jornal, tava escrito assim: "Curso de expressão artística em preto e branco". Fiz a matrícula, era o único aluno, o que foi ótimo, pois o seu Newton era uma espécie de Professor Pardal, tinha grande conhecimento, muitos anos de experiência, eu diria até rudimentar, porque ele era da velha guarda, preparava os próprios químicos etc. Arrumei um trabalho temporário no serviço de informações telefônicas e comprei minha primeira máquina, uma Canon AE-1. Em seguida, um conhecido me convidou para ajudá-lo num desfile, fui... Resultado: o trabalho ficou bom. Na outra semana, teve um casamento, lá fui eu... Imagina que tudo isso aconteceu num intervalo de uns três meses! Desisti de uma faculdade, viajei, minhas fotografias não deram certo, resolvi aprender, fiz o curso, comprei máquina e, quando percebi, tava ganhando dinheirinho e aprendendo. Eu pensei: "Ótimo". Fiquei nesse esquema aproximadamente um ano, fazendo todo tipo de trabalho comercial. Enquanto isso, fazia algum material próprio em preto e branco, que me dava muito mais satisfação. Foi então que decidi prestar o vestibular para artes plásticas. Minha mãe não falou nada, eu acho.
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