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Edição # 33 | Agosto e Setembro 2010


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Fotógrafo no front
O premiado (e arriscado) trabalho de Walter Astrada, um argentino cobrindo a violência na África

Por Bola Teixeira
Walter Astrada Walter Astrada Walter Astrada Walter Astrada

O trabalho realizado no Quênia pelo fotojornalista argentino Walter Astrada pode ser considerado um fenômeno. Somente nos primeiros meses de 2009, Astrada foi anunciado vencedor de três importantes prêmios mundo afora: World Press Photo (WPP), na categoria Spot News; de melhor fotógrafo do ano pela sueca Photographers Giving Back (PGB); e, mais recentemente, também como fotojornalista do ano pela norte-americana National Press Photographers Association (NPPA).

 

Freelancer por opção, Astrada, de 34 anos, começou como fotojornalista no La Nación, da Argentina. Mas como, segundo ele, o mundo não terminava na cobertura de um jornal diário, colocou o pé na estrada e foi em busca da extensão do mundo. Passou pelo Brasil, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai e República Dominicana, até chegar à Espanha em 2006. Sempre em busca de bolsas para patrocinar seus projetos autorais, o argentino queria mesmo era chegar até a África e, numa espécie de sorte procurada, como ele classificou, acabou aterrissando no Quênia, onde realizou o premiado ensaio. Lá, o fotógrafo trocou e-mails com a redação da Photo Magazine, concedendo entrevista exclusiva. Acompanhe a emocionante história de um fotojornalista freelancer na conversa a seguir:

 

Quando Jonas Lemberg, da PGB, disponibilizou as suas imagens, olhando uma a uma, todos aqui da redação ficamos impressionados. Suas imagens retratam, sem retoques, a realidade cruel de um continente, no caso, o africano. Sendo um freelancer, que motivações te levaram para a África e a escolher os temas retratados?

 

Sempre quis trabalhar na África. Mas não é um lugar fácil para trabalhar, já que há poucos postos fixos para fotógrafos em agências e muito menos em periódicos. Assim que, estando na Espanha durante as festas de final de ano em 2007, saiu a notícia dos distúrbios logo após as eleições no Quênia, comecei a pensar em ir, mas não tinha dinheiro para a passagem de avião e não estava ainda clara a dimensão da gravidade. No dia 1º de janeiro queimaram uma igreja com mais ou menos 30 pessoas (dentro), em Eldoret, no oeste do Quênia. Aí decidi que deveria ir, como fui. Mas seguia com um problema de orçamento, e comentei a um amigo que trabalha para a agência EPA. Num par de horas ele me conseguiu um contrato de dez dias. Com esse dinheiro, comprei uma passagem de avião e contatei um amigo que é o chefe da AFP para a África Oriental, se ele poderia me conceder alojamento em sua casa. Com essas duas coisas, cheguei ao Quênia no dia 4 de janeiro. Depois de trabalhar dez dias para a EPA acabou o contrato e o amigo me levou para trabalhar com ele como stringer (colaborador) com a AFP. Trabalhei até o dia 25 de fevereiro e durante a cobertura fui concebendo a possibilidade de ficar na região, trabalhando como freelancer e colaborando com a AFP. Meu sonho de poder trabalhar na África começou com uma espécie de sorte procurada.

 

O fato de ser um freelancer te dá liberdade de buscar os temas que mais chamam a sua atenção e com apelo jornalístico?

 

Ser freelancer te dá a liberdade de poder fazer os temas que você quer, mas tem o outro lado, você deve pagar os seus gastos. Isto é, por um lado você tem a liberdade de fazer o que quer, mas do outro tem a limitação de dinheiro. A situação que estou agora, de trabalhar como freelancer e ao mesmo tempo colaborar com uma agência de notícias, é que por um lado cubro notícias que, de forma independente, seria difícil de cobrir por causa dos gastos, e, por outro lado, quando consigo dinheiro para continuar com meus projetos, posso ir o tempo que necessitar.

 

LEIA A ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO IMPRESSA (NAS BANCAS)

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