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A experiência de viver a infância e juventude sob a influência da ditadura militar forjou na mineira Fabiana Figueiredo um espírito resistente à "castração mental e política de toda a nação". Para completar, o rock e a poesia marginal a conduziram, aos dezoito anos, à fotografia. Desse caldo saiu uma artista engajada, mas consciente dos limites, que empresta seu olhar sobre o mundo a trabalhos como o ensaio Migrances, que, com outros dois conjuntos de fotos, foi indicado ao Prêmio Niépce em 2008. Tratando das questões da imigração no norte da França, mostra imagens ao mesmo tempo impactantes e singelas, como as que vemos nestas páginas.
Neta de italianos, Fabiana conviveu desde cedo com os dramas e dores da imigração. "Muita pobreza, ignorância e sofrimento", lembra. A história de sua família, que veio para o Brasil nos anos 20 e fincou, talvez até involuntariamente, raízes – "minha avó só voltou à Itália uma vez, e nunca mais pôde ver os parentes, que ela tanto adorava" – marcou a fotógrafa e inspirou o ensaio Migrances, realizado entre 2002 e 2003 na Itália e norte da França e que virou livro e exposições na Europa e Brasil.
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